Então pra quem ainda não sabe hoje faz 7 dias que a minha avó faleceu, e não pense que é aquele tipo de avó que a gente só visita em datas comemorativas e se gaba por ela cozinhar bem… Não, minha avó me criou enquanto a minha mãe trabalhava para me ‘dar’ as coisas era ela que me educava. Literalmente minha segunda se não primeira mãe. Então ela não era uma pessoa velha, tinha apenas 67 anos, mas há 15 anos tinha Mal de Parkinson, aquela doença que ‘treme’.
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Uma brincadeira que tinha com uns amigos um tempo atrás:
A: – Minha avó faz pão. | B: – A minha avó faz bolo.
Djin: – A minha avó treme. | E.: – A minha também!
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Ultimamente eu e minha mãe percebemos que ela andava mais cansada da vida que levava, pois minha avó foi uma pessoa muito ativa, daquelas pessoas de causa engajada, e com a doença ela foi ficando em casa, não queria mais sair, mal queria ver os amigos.
E uma semana antes dela falecer ela começou a apresentar um quadro febril, como eu havia saído de uma dor de garganta forte, eu e minha mãe achamos que ela poderia estar com a mesma coisa, então ela foi medicada. Ela tinha acompanhamento de seus médicos por causa do Parkinson e minha mãe conversou com eles, ouvimos a mesma coisa continue a medicação.
Domingo (01/03) ela piorou, e como tinha a Ecco salva minha mãe chamou eles, ela quase foi internada, mas a medica voltou atrás e diagnosticou como um infecção urinária e passou uma medicação mais forte (antibiótico) e antitérmico, até terça ela estava melhorzinha, só que na terça a noite ela voltou a piorar (39 de febre) e chamamos a Ecco de volta. Ela tomou dipirona na veia e passou a madrugada inteira com o mesmo quadro. [A essa altura minha mãe cuidava dela de dia e eu a noite.]
O dia D (Quarta-feira)
Ela amanheceu pior, já não estava andando nem falando direito. Foi ministrado paracetamol e a febre não baixou e depois dipirona, depois de duas horas seu quadro não havia mudado, chamamos um taxi e corremos para o 24h do campo Comprido, lá a médica já não acreditava que ela era uma pessoa lúcida e que até andava, ela começo a apresentar pequenas convulsões e começaram achar que era principio de derrame. Eles iram estabilizar o quadro dela e mandar para o H. evangélico para fazer uma tomografia e internar. Ela começou a ser medicada a 13h da tarde. Estabilizaram a pressão, e o coração mais a febre não dava trégua. E de hora em hora podíamos dar uma olhada nela.
Foi cerca das 16h que a vi acordada pela última vez. A partir das 18 eu e minha mãe começamos a se desesperar, ligamos para os outros filhos dela, e desse horário até a hora da morte tentamos correr com ela. Os médicos foram atenciosos conosco, o último conversou com a minha mãe sobre os exames feitos na minha avó, eles estavam limpo só no de sangue deu uma leve infecção nada que daria febre.
A enfermaria foi à pessoa mais querida de todas, ela não mentiu e nenhum momento, ficamos conversando sobre o quadro dela, sobre o que poderia ser e nada fazia sentido, a pressão subia e descia de forma estranha, o batimento cardíaco estava estabilizado, até ela ter 42 de febre. Nesse ponto mesmo que ela se salvasse ela teria graves sequelas da febre.
Minha avó morreu na mão da minha mãe que deixou de viver para cuidar dela, nessas horas parece que Deus existe, pois de certa maneira foi muito certinho. O coração dela simplesmente parou, não sabem a causa da morte, foi apenas uma febre…
Quase uma morte natural, ela estava medicada e naquele dia ela não sentiu dor alguma, vimos que todos ali tentaram fazer o possível e o impossível, mas era a hora dela. Eu não estava lá, fui até em casa com o meu tio buscar comida e água para passar a noite no hospital, mas ele não teria agüentado a dor se estivesse lá, foi melhor assim.
A dor que eu sinto é algo inexplicável, a perda é surreal, eu ainda não acredito e talvez nem queira acreditar, sinto a presença dela na casa e não tenho medo disso. Sei que ainda vou sofrer muito, mas sei que um dia a dor irá se tornar saudade…
Tudo se tornou tão pequeno perto dessa perda, a única coisa a qual eu realmente me importo é a minha mãe, e em cuidar dela tão bem quanto ela cuidou da minha avó. Não sinto remorso de nada, claro que gostaria de abraçá-la e beijá-la mais vezes mais a minha avó sabia que era uma pessoa muito amada, sempre deixamos claro isso pra ela, e até mesmo no hospital eu fiz muito carinho, rezei, beijei e disse que a amava.
Dou o conselho de fazerem o mesmo pelos seus entes queridos, pois o dia que eles tiverem que partir você não ira sentir remorso e ficar dizendo ‘porque eu não fiz isso em vida’, depois que morre não adianta mais. Amo minha avó e nunca vou deixar de ama – lá, ela sabe disso e é isso que me confortar.
| LUTO | ‘-‘~♥
Obs: Desculpe qualquer erro, não estou com cabeça pra revisar.